Bioeconomia empodera mulheres das periferias do Rio de Janeiro

Por Helena Duarte

Rio de Janeiro – Num país onde a desigualdade de gênero, raça e território parece uma sentença, um projeto ousa virar o jogo com sabedoria ancestral, pés na terra e olhar no futuro. A Escola de Mulheres e Bioeconomia ARTEMÍSIA vai formar 500 mulheres de comunidades periféricas do estado do Rio de Janeiro em empreendedorismo sustentável, autonomia financeira e resgate cultural. A proposta é tão revolucionária quanto simples: usar a bioeconomia como ferramenta de emancipação.

Bioeconomia com rosto, cor e território

Esqueça o jargão corporativo que transformou “sustentabilidade” em bordão de marketing. Aqui, o conceito ganha corpo nas mãos de mulheres negras, periféricas e com deficiência — aquelas que sustentam comunidades inteiras e quase nunca têm vez nas políticas públicas.

Com foco em técnicas como produção de cosméticos naturais e cultivo de ervas medicinais, o projeto ARTEMÍSIA transforma o que antes era saber doméstico em instrumento político e econômico. Tudo isso com base numa formação interseccional e inclusiva, onde aprender sobre finanças é tão importante quanto discutir identidade e autocuidado.

Formação para autonomia e enfrentamento

A formação se estrutura em módulos que misturam prática e reflexão: bioeconomia, empreendedorismo, comunicação, finanças, autocuidado e valorização das raízes culturais. O processo formativo não mira só o mercado, mas o empoderamento coletivo. Porque não basta sobreviver — é preciso existir com dignidade.

A ação será implementada em dez territórios fluminenses historicamente negligenciados pelo poder público: Belford Roxo, Cabo Frio, Guaratiba, Magé, Mesquita, São Gonçalo, Paciência, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Locais onde a precariedade é cotidiana, mas a potência comunitária pulsa em cada esquina.