Por Helena Duarte
Publicado originalmente no Diário Carioca, no dia 25 de maio de 2025. Link: https://diariocarioca.com/2025/05/25/economia/bioeconomia-mulheres-periferias-do-rio/
Rio de Janeiro – Num país onde a desigualdade de gênero, raça e território parece uma sentença, um projeto ousa virar o jogo com sabedoria ancestral, pés na terra e olhar no futuro. A Escola de Mulheres e Bioeconomia ARTEMÍSIA vai formar 500 mulheres de comunidades periféricas do estado do Rio de Janeiro em empreendedorismo sustentável, autonomia financeira e resgate cultural. A proposta é tão revolucionária quanto simples: usar a bioeconomia como ferramenta de emancipação.
Bioeconomia com rosto, cor e território
Esqueça o jargão corporativo que transformou “sustentabilidade” em bordão de marketing. Aqui, o conceito ganha corpo nas mãos de mulheres negras, periféricas e com deficiência — aquelas que sustentam comunidades inteiras e quase nunca têm vez nas políticas públicas.
Com foco em técnicas como produção de cosméticos naturais e cultivo de ervas medicinais, o projeto ARTEMÍSIA transforma o que antes era saber doméstico em instrumento político e econômico. Tudo isso com base numa formação interseccional e inclusiva, onde aprender sobre finanças é tão importante quanto discutir identidade e autocuidado.
Formação para autonomia e enfrentamento
A formação se estrutura em módulos que misturam prática e reflexão: bioeconomia, empreendedorismo, comunicação, finanças, autocuidado e valorização das raízes culturais. O processo formativo não mira só o mercado, mas o empoderamento coletivo. Porque não basta sobreviver — é preciso existir com dignidade.
A ação será implementada em dez territórios fluminenses historicamente negligenciados pelo poder público: Belford Roxo, Cabo Frio, Guaratiba, Magé, Mesquita, São Gonçalo, Paciência, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Locais onde a precariedade é cotidiana, mas a potência comunitária pulsa em cada esquina.